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Romboli e Zormann querem chegar juntos aos ATP
16/10/2023 às 20h20

Objetivo da parceria é entrar no top 100 até o fim do ano e buscar torneios maiores em 2024

Foto: João Pires/Fotijump
Felipe Priante

Principal dupla 100% brasileira no circuito atual, Fernando Romboli e Marcelo Zormann têm feito bonito nesta temporada, conquistando juntos dois títulos em challenger, além de outros três vice-campeonatos e mais duas semifinais. Em entrevista exclusiva a TenisBrasil, eles contaram que o foco é manter a parceria para buscarem juntos não apenas o top 100, mas também conseguirem jogar torneios maiores, como os ATP e até os Grand Slam.

“A grande maioria dos caras que saem de challengers para os ATP foram em parceria, quase nenhum acabou se metendo sozinho, é sempre com mais alguém. A dupla é muito detalhe, um ponto ou outro define um jogo. Então quando você já está acostumado com seu parceiro, um sabe o que o outro vai fazer e tem uma confiança mútua”, afirma Romboli, de 34 anos e o mais experiente da dupla, tendo já sido 88º do mundo nas duplas.

O bom entrosamento desde o começo e a vontade de trabalhar são os aspectos que ambos destacam como fundamentais para o sucesso da duplas. “Ganhando ou perdendo, a gente vai para quadra sempre pensando no que trabalhar. Nos momentos ruins, em que tomamos 3 ou 4 primeiras rodadas seguidas, a gente não desanimou, sabíamos que era uma boa dupla, apenas aumentamos a intensidade nos trabalhos”, explica Zormann.

Nesta semana, eles não estarão juntos no challenger de Santa Fé, o que consideram normal e que está dentro dos planos. “Se um consegue fazer bom resultado, sobe no ranking e puxa a somatória da dupla, podendo depois jogar juntos torneios maiores. Nossa ideia é jogar juntos os challengers, talvez algum ATP e quem sabe os Grand Slam”, diz Romboli, que acredita que precisam estar no top 70 para conseguirem entrar juntos nos principais torneios.

Veja a entrevista completa com Romboli e Zormann:

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Fernando Romboli (@fernando_romboli)

Vocês não são de gerações tão próximas, mas ambos estão no caminho das duplas. Como surgiu essa parceria?

Zormann: Desde o ano passado até o começo deste eu estava jogando com o Orlando (Luz), então a gente achou melhor dar um tempo para jogar com outros parceiros e tudo mais. Aí estava indo para a Europa, sem parceiro e foi quando falei com o Romboli. No início iríamos jogar apenas umas semanas juntos, porque ele também ia jogar outros torneios com outro parceiro, mas acabaram rompendo também. Na primeira semana a gente já fez final, mas não foi só pelo resultado e sim porque a parceria funcionou dentro e fora da quadra. Então resolvemos seguir jogando.

Como foi receber o convite do Marcelo e essa questão com o parceiro?

Romboli: Caiu em um bom momento, eu estava sem parceiro (fixo) na época e tinha combinado de jogar algumas semanas com um cara. Estou tentando há um bom tempo ter uma parceria fixa. Esse parceiro com quem eu ia jogar acabou tendo uns problemas de calendário, acabou se machucando, e então o Marcelo me chamou. Combinamos de jogar juntos nas primeiras semanas, em que eu teoricamente teria um outro parceiro. Foi como ele falou, na primeira semana a gente jogou muito bem e chegamos na final. Mas mantivemos nem tanto por isso, e sim pela química ali, tanto é que depois tive várias semanas em que não fizemos bons resultados, tomamos várias primeiras rodadas. Mas os dois sentiram que a dupla era boa, sempre jogando bem e perdendo o jogo no detalhe. Um podia ajudar o outro, então nos mantivemos bem firmes. Encaixou no início e depois foi bem tranquilo.

Depois de uma final e uns resultados não tão bons, recentemente as campanhas têm sido bastante consistentes. Além deste encaixe, a que mais vocês atribuem a esses bons resultados?

Zormann: O que ajudou bastante foi não apenas termos superado os momentos ruins, mas principalmente ter trabalhado e treinado bastante. Ganhando ou perdendo, a gente vai para quadra sempre pensando no que trabalhar. Nos momentos ruins, em que tomamos 3 ou 4 primeiras rodadas seguidas, a gente não desanimou, sabíamos que era uma boa dupla, apenas aumentamos a intensidade nos trabalhos. Quando encaixou, a gente conseguiu alcançar uma consistência e os resultados vieram juntos. Pensamos no médio prazo, ganhamos um torneio e seguimos trabalhando para depois encaixar mais resultados bons.

Qual a vantagem de ter um parceiro fixo na hora de viajar o circuito, treinar junto e pegar maior entrosamento?

Romboli: Com a experiência que a gente tem no circuito, vemos que a grande maioria dos caras que saem de challengers para os ATP foram em parceria, quase nenhum acabou se metendo sozinho, é sempre com mais alguém. A dupla é muito detalhe, um ponto ou outro define um jogo. Então quando você já está acostumado com seu parceiro, um sabe o que o outro vai fazer e tem uma confiança mútua, a gente tira muitos os erros bobos, algo que aparece bem mais com uma dupla nova. É bem metódico, a gente já sabe o que o outro vai fazer. Parece até fácil, mas o negócio é que isso funciona muito nos momentos importantes e essa é a vantagem de ter uma parceria fixa. Eu, por exemplo, treino bolas para melhorar o jogo dele e vice-versa.

 
 
 
 
 
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A maior experiência do Fernando no circuito... quando isso ajuda e como funciona essa troca entre vocês?

Romboli: Eu não vejo, por mais que eu seja mais velho, o Marcelo jogou em alto nível desde o juvenil, teve uma carreira brilhante. Também jogamos praticamente o mesmo nível de torneios, claro que tenho mais vivência e já joguei alguns torneios maiores, mas ele lida tão bem com o circuito como eu. O que ajuda é que eu confio nele e ele em mim, é isso que faz dar certo, na parceria precisa existir essa confiança de botar fé no outro.

Como vocês avaliam esse período juntos e o que miram para o futuro?

Zormann: A gente não definiu exatamente um número ou algo do gênero para esse fim do ano, mas ambos estamos perto do top 100 e com certeza o objetivo principal é aproveitar a gira da América do Sul para terminar dentro do top 100. Então é ver como vai acabar o ano e definir calendário e tudo mais. Dependendo do ranking, a gente pode se separar para jogar o Australian Open, por exemplo, se um dos dois consegue um parceiro para entrar na chave. É uma coisa que é natural, acredito que vamos seguir juntos na maioria dos torneios.

Então a ideia é seguir com a dupla, separando apenas em um ou outro evento esporádico?

Zormann: Sim, é isso mesmo. É que o começo do ano é basicamente na Austrália e depois vem a temporada na América do Sul. Se a gente conseguir entrar junto melhor, mas se tiver que separar tudo bem.

Romboli: É o que acontece com muitas duplas no começo, nessa transição dos 100 para os 80, às vezes tentar jogar com um simplista. E é ótimo, porque se consegue fazer um bom resultado ele sobe no ranking e puxa a somatória da dupla, podendo depois jogar juntos torneios maiores. Nossa ideia é jogar juntos os challengers, talvez algum ATP e quem sabe os Grand Slam. Mas é muito difícil, porque na real precisa estar 70 do mundo. Estamos ainda próximos do top 100, que para entrar precisa jogar bem e ganhar uns 2 ou 3 challengers ainda, mas para dar o salto para 70 só se ganharmos todos os torneios (risos).

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