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Jabeur e Rybakina fazem duelo de estilos na final
08/07/2022 às 15h16

Jabeur disputará sua primeira final de Grand Slam e lidera histórico por 2 a 1

Foto: AELTC
por Mário Sérgio Cruz

Um duelo entre jogadoras de estilos bastantes distintos marca a final feminina de Wimbledon. Ons Jabeur e Elena Rybakina se enfrentam a partir das 10h (de Brasília) deste sábado. Para ambas será a primeira final de Grand Slam na carreira. A tunisiana lidera o histórico de confrontos por 2 a 1.

Ainda invicta na temporada de grama, com título em Berlim há duas semanas e 11 vitórias seguidas no piso, Jabeur seu drop-shot como o golpe mais reconhecido entre as colegas de circuito. A tunisiana de 27 anos e número 2 do mundo também é capaz é capaz de variar o ritmo do jogo, utilizando muito bem seus slices, mas também sabe jogar pesado do fundo de quadra quando é necessário.

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Já Rybakina se destaca pela potência de seu saque e dos golpes de fundo. Com 1,84m, ela é a líder de aces no torneio com 49 e da temporada na WTA, com 217 no total. E apesar de a cazaque de 23 anos ser uma tenista agressiva e com muito peso de bola dos dois lados, tanto o forehand, quanto o backhand, ela mostrou por diversos momentos no torneio que não é uma jogadora inconsequente como outras tantas de mesmo estilo e soube trabalhar muito bem os pontos e esperar o momento certo para a definição as jogadas. Um exemplo para muitas colegas.

O que elas disseram sobre o confronto

"É sempre complicado jogar contra a Ons. A grama é uma superfície diferente, mas ela já jogou bem aqui no ano passado e teve ótimos resultados este ano", avaliou Rybakina sobre o jogo da tunisiana. "Com certeza será uma partida muito difícil. Mas vou tentar dar o meu melhor, focar no meu jogo e ver o que vai acontecer. Sei como Ons joga, ela sabe como eu jogo. Nós nos conhecemos bem. É claro que vou ficar nervosa, todo mundo fica nervoso quando vai jogar na Quadra Central em uma final. Mas é um desafio para mim ser estável, ser forte mentalmente e tentar fazer o meu melhor".

Jabeur também comentou sobre a dificuldade de enfrentar uma rival tão agressiva. "A Rybakina é uma jogadora agressiva. Se você lhe der um pouco de tempo, ela vai aproveitar isso. Acho que ela pode jogar muito bem na grama porque ela consegue agressiva e também mudar o ritmo, são os dois estilos, acredito que seja o mais impressionante na grama. Será uma partida interessante, mas tentarei fazê-la trabalhar duro para ganhar seus pontos".

Jabeur faz história para as mulheres árabes e africanas

Nos últimos anos, Jabeur tem quebrado uma série de barreiras. Ao chegar à decisão de Wimbledon, ela se torna a única mulher árabe a disputar uma final de Grand Slam e primeira do continente africano a atingir uma decisão na Era Aberta. A número 2 do mundo também faz história como a jogadora africana com o melhor ranking na WTA, além de ser a única árabe a chegar ao top 10 e a vencer torneios de primeira linha. Chamada de "Ministra da Felicidade" em seu país, tem plena consciência de seu papel para influenciar as novas gerações.

"Quero inspirar muitas outras gerações. A Tunísia está ligada ao mundo árabe e também está ligada ao continente africano. Queremos ver mais tenistas. Não é como a Europa ou qualquer outro país. Quero ver mais jogadores do meu país, do Oriente Médio e da África. Acho que não acreditamos o suficiente em determinado momento de que poderíamos chegar aqui. Agora estou apenas tentando mostrar isso".

Rybakina trocou a Rússia pelo Cazaquistão por mais oportunidades

Em uma temporada que a organização do torneio de Wimbledon vetou a presença de tenistas da Rússia e de Belarus, por conta da invasão ao território da Ucrânia, a final terá uma jogadora nascida na Rússia. Rybakina é natural de Moscou, mas optou ainda em 2018 por defender o Cazaquistão no circuito profissional. A tenista de 23 anos conta que a mudança de nacionalidade foi feita porque a federação cazaque oferecia a ela melhores condições de treinamento para que ela seguisse carreira no tênis. Quando era mais jovem, chegou a tentar a sorte na ginástica e na patinação, mas foi considerada muito alta para as duas modalidades.

"Eu nasci na Rússia, mas está claro que represento o Cazaquistão. Já é uma longa jornada para mim. Joguei Olimpíadas e Fed Cup antes, recebi muita ajuda e apoio, e estou muito feliz por representar o Cazaquistão", afirmou a atual 23ª do ranking e que tem como melhor marca o 12º lugar. "Acho que foi um momento muito bom porque eles estavam procurando uma jogadora e eu estava procurando ajuda. Então eu acho que foi uma combinação perfeita. Eles acreditaram em mim. Eles fizeram todo o possível para eu continuar jogando, continuar melhorando. Tive todas as condições para treinar e tudo mais. Eles me ajudaram muito".

Torneio não conta pontos para o ranking
Ainda como reflexo da Guerra na Ucrânia e ao veto aos tenistas russos e bielorrussos, a edição deste ano não conta pontos para o ranking da WTA. Apesar de alcançar sua primeira final de Slam, Ons vai perder algumas posições porque tinha 430 pontos a defender das quartas de final do ano passado. Ela vai cair para a quinta posição. Já Rybakina deve manter sua atual 23ª posição, embora perca os 240 pontos de oitavas de final do ano passado. O prêmio em dinheiro para a campeã é de 2 milhões de libras esterlinas, enquanto a vice recebe 1,05 milhão.

"Eu não vou mentir para vocês. Quanto mais você vai bem, mais você se arrepende de não ter pontos no torneio. Honestamente, eu não olho apenas para mim. Mas olho também para Tatjana [Maria], porque ela lutou muito para estar na semifinal. Agora ela faz uma boa campanha e não tem pontos", disse Jabeur, em entrevista coletiva após as quartas de final. "Também para a jovem alemã [Jule Niemeier], que merece ganhar pontos, para Marie [Bouzkova], e para todas que passaram por aqui. Mas é assim que acontece. Paramos de focar nos pontos e talvez vejamos que o prêmio em dinheiro também é bom".

Veja o histórico de confrontos entre Jabeur e Rybakina

2021 - WTA 500 de Chicago - sintético - semifinal - Ons Jabeur, 6/4 3/2 des.
2021 - WTA 1000 de Dubai - sintético - 2ª rodada - Ons Jabeur, 7/6(6) 4/6 6/2
2019 - WTA 1000 de Wuhan - sintético - 2ª rodada - Elena Rybakina, 6/1 6/7(3) 6/2

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