
Melbourne (Austrália) - Em mais um duelo 100% norte-americano neste Australian Open, Tommy Paul fez valer a maior experiência no circuito e levou a melhor para cima do compatriota Ben Shelton por 3 sets a 1, gastando 3h08 para fechar o jogo com o placar final de 7/6 (8-6), 6/3, 5/7 e 6/4, se tornando o 45º tenista de seu país a alcançar uma semifinal de Grand Slam desde o começo da Era Aberta.
Paul terá pela frente um páreo duríssimo, pegando o vencedor do duelo entre o sérvio Novak Djokovic e o russo Andrey Rublev. Caso o ex-número 1 do mundo confirme o favoritismo e avance o duelo será inédito, mas se o russo conseguir surpreender, será o sexto embate ente os dois, com quatro vitórias de Rublev e apenas uma derrota.
Até iniciar sua campanha em Melbourne, Paul jamais havia passado das oitavas em um Slam, algo que fez apenas em Wimbledon, no ano passado. Ele é agora o 24º norte-americano a atingir a semi no Australian Open na Era Aberta e o primeiro desde 2009, quando Andy Roddick fez sua quarta e última semifinal no torneio. Apenas outros dois tenistas dos EUA em atividade já foram tão longe: John Isner e Frances Tiafoe.
Paul manteve sua invencibilidade contra compatriotas em Grand Slam ao bater o terceiro que teve pela frente. Uma rodada antes, ele bateu Jenson Brooksby e também já havia superado Sebastian Korda, na segunda rodada do US Open do ano passado. Com a campanha no Australian Open até então, o atual 35 do mundo alcançará seu melhor ranking, entrará no top 20 pela primeira vez e será o 19º do mundo.
O bom desempenho de Shelton com o saque, que o ajudou a chegar até as quartas, só apareceu mais nos 24 aces que anotou, já que seu aproveitamento ficou em 64%, bem abaixo dos 79% que Paul conseguiu. Shelton também não estava calibrado, cometeu quase o dobro de erros não forçados (50 a 26) e ainda levou a pior nas bolas vencedoras (42 a 43).
A primeira parcial foi a mais parelha do jogo, com Paul desperdiçando o único break-point que teve, mas que no final acabou não fazendo falta, já que levou a melhor no tiebreak. No segundo set as chances de quebra aumentaram e Shelton levou a pior, perdeu dois break-points no quinto game, salvou dois no quarto, só que levou a quebra decisiva no sexto.
Com grande desvantagem no placar, Shelton ficou em situação ainda mais complicada quando viu o rival abrir 4/3 e saque no terceiro set. Porém, ele devolveu imediatamente a quebra e mostrou forças ao salvar três break-points logo em seguida. Veio então o 12º game e Paul oscilou um pouco, o suficiente para perder o saque e a parcial.
Quando tudo indicava que a partida poderia ficar mais complicada para Paul, que via o compatriota crescer, ele tratou de jogar um balde de água fria e abriu o quarto set com quebra. Shelton não teve forças para reagir e o máximo que fez foi salvar um break-point no quinto game e outro no nono.