
Paris (França) - Com outra grande demonstração de resiliência e força mental, a russa Anastasia Pavlyuchenkova está novamente nas quartas de final de Roland Garros. A finalista de 2021, que perdeu muito tempo com lesão no joelho, virou em cima da belga Elise Mertens em duelo de 3h09 e avançou com o duro placar de 3/6, 7/6 (7-3) e 6/3.
Apenas 333ª do ranking no momento, ela se torna a tenista de mais baixa classificação a atingir as quartas de Roland Garros em toda a história do ranking feminino, iniciada em 1975. Ex-número 11 do mundo, ela já recupera 230 posições e pode ir mais longe, já que enfrentará uma tenista que não figura entre as 32 favoritas: a compatriota Elina Avanesyan ou a tcheca Karolina Muchova.
"Acreditei que dava para ganhar o tempo todo, mas foi preciso muita força mental", afirmou a russa em francês perfeito ainda em quadra. Esta será a oitava presença em quartas de final de Slam e a terceira em Paris, porém só superou essa barreira na campanha de dois anos atrás no saibro francês.
"É incrível retornar à Chatrier", afirmou, referindo-se ao majestoso estádio principal do torneio, onde disputou as rodadas decisivas de 2021. "É um lugar que me traz incríveis recordações". Aos 31 anos, ela diz que a longa parada no ano passado mudou sua visão sobre o esporte e a carreira. "Aprendi com tudo isso e acho que ficar longe do circuito me trouxe motivação extra nesta volta".
Para mostrar sua total recuperação física, Pavlyuchenkova fez até agora as duas das três partidas mais longas do torneio, já que na segunda rodada gastou 3h06 para derrotar a cabeça 15, Liudmila Samsonova, também de virada. O recorde desta edição até agora é de 3h10, entre Leolia Jeanjean e Kimberly Birrell.
Segundo a WTA, apenas cinco jogadoras na Era Profissional conseguiram atingir ao menos as oitavas com um ranking fora das 300 primeiras: Martina Hingis (349ª no Australian Open de 2006), Kaia Kanepi (451ª no US Open de 2017), Kim Clijsters (sem classificação no US Open de 2009), Justine Henin (sem classificação no Aberto da Austrália de 2010) e Tsvetana Pironkova (sem classificação no US Open de 2020).
O jogo começou com trocas de quebra - ventou muito forte o tempo todo - e quando manteve o serviço a belga deslanchou. Chegou a ter 3/1 no segundo set e perdeu sete chances de tirar outro saque e ampliar a vantagem, o que poderia ser decisivo. Ao contrário, a russa empatou no sexto game e levou ao tiebreak, onde então foi muito superior.
Sempre mais agressiva, o que incluía boas subidas à rede, Pavlyuchenkova abriu 3/0 com duas quebras vendo a belga com dificuldades no saque, a ponto de terminar a partida com 16 duplas faltas. Mertens pediu atendimento antes do quarto game, aí ensaiou reação mas voltou a sacar mal. Aproveitou a ansiedade da russa para salvar três match-points e ainda apertar com 5/3, mas na hora do saque não fez grande coisa e Pavlyuchenkova selou a grande vitória com mais do dobro dos winners (50 a 23).